Caminhos da terapia psicanalítica: alguns passos para uma ética na escuta

A clínica psicanalítica se constrói na coragem de sustentar o não-saber, acolher a incompletude e escutar o sujeito em sua singularidade, sem impor ideais, mas abrindo espaço para que ele exista.
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            Escolher falar da Psicanálise a partir deste Artigo de Freud de 1918, texto lido por ele mesmo em um Congresso de Psicanálise, é muito pertinente para os nossos estudos. Mas, antes de seguir, eu peço licença e permissão ao leitor para tentar comunicar as minhas livres associações provocadas e libidinizadas pelos diálogos com os pares ocorridos no Evento promovido pela da EPC[1] – e farei aqui quase que um exercício sonhante dessa escuta! Vamos lá!

            Freud já inicia o seu escrito com uma provocação visceral, existencial e tão fundamental ao nosso interminável processo (De)Formativo: “nunca nos gabamos da completude e inteireza de nosso saber e de nossa capacidade” (Freud, 1919 [1918]/2010, p. 280) e isso porque temos de suportar que o nosso conhecimento é atravessado por imperfeições e é profundamente marcado pelo sinete da incompletude – e, por que não acrescentarmos, marcado pelo sinete da Transitoriedade? Este tripé Imperfeição-Incompletude-Transitoriedade também nos leva à compreensão da base fundamental da Psicanálise enquanto Ciência: trata-se de pensarmos segundo uma metodologia heurística. Certo, mas o que seria isso?

            Freud sempre procurou se posicionar entre as Ciências da Natureza (Naturwissenschaften: Física, Química, Biologia, Neurologia) e as Ciências do Espírito (Geisteswissenschaften ou Ciências Humanas), hora se aproximando mais de uma, hora se aproximando mais de outra. Sem muito me aprofundar nesta questão, podemos observar aqui a influência do filósofo alemão Immanuel Kant na ambiência intelectual do movimento do pensamento de Freud. Vejamos o que escreve Kant, em “Crítica da Razão Pura”, sobre a construção de um pensamento científico e seu respectivo uso da razão:

Se tenho que pensar algo necessário para as coisas existentes em geral [a busca da universalidade], mas sem ter o direito de pensar nenhuma coisa como necessária em si [ou seja, uma teoria jamais vai esgotar o objeto, jamais vai definir definitivamente o que seria a vida em si], segue-se infalivelmente que a necessidade e a contingência não deverão atingir nem afetar as próprias coisas […]. Neste sentido, bem podem os dois princípios coexistir lado a lado, como princípios simplesmente heurísticos e reguladores […]. (Kant, 1781/1994, p. 515).

            Ora, toda teoria freudiana (a Pulsão, as Fantasias, o Complexo de Édipo, a Libido, o Inconsciente, o Recalque, o Id e o Superego, o Ego, a Mente, a Alma) visa conferir uma unidade sistemática ao conhecimento do aparelho anímico e uma organização do pensamento que permite vislumbrar (imaginariamente, fantasisticamente) algo do âmbito do necessário, daquilo que se repete enquanto fenômeno humano – demasiadamente, humano! – na experiência ou na observação do fenômeno a partir da experiência: “Mas essa proposta não tem a significação de um pressuposto necessário […]; não passa de uma construção auxiliar, que deve ser mantida apenas enquanto se revelar útil” para o trabalho da Psicanálise “de descrição e ordenação” (Freud, 1915/2010, p, 61).

            A própria ideia de necessidade absoluta é negada pela vida, exigindo que esse algo invariável e universal seja modificado pelo adquirido, pelo contingente, ou ainda, que seja modificado pela tríade Imperfeição-Incompletude-Transitoriedade das condições do uso da razão. Por isso, fazendo um paralelo, escreve Kant: “deveis deixar sempre aberto o caminho para uma explicação ulterior e nunca considerar, por conseguinte, nenhuma determinação particular a não ser como condicionada.” (Kant, 1781/1994, p. 516). E, para corroborar a ideia, escreve Freud no primeiro parágrafo de “As Pulsões e seus Destinos”:

Não é raro ouvirmos a exigência de que uma ciência deve ser edificada sobre conceitos fundamentais claros e bem definidos. Na realidade, nenhuma ciência começa com tais definições, nem mesmo as mais exatas. O verdadeiro início da atividade científica está na descrição de fenômenos, que depois são agrupados, ordenados e relacionados entre si. Primeiro, [os futuros conceitos fundamentais da ciência] têm de comportar certo grau de indeterminação; é impossível falar de uma clara delimitação de seu conteúdo [:] o progresso do conhecimento também não tolera definições rígidas. (Freud, 1915/2010, p. 52).

            É neste ambiente de pensamento que Freud inicia a leitura do artigo de 1918 no Congresso Psicanalítico Internacional em Budapeste, reafirmando que a Psicanálise fundamenta seu conhecimento sustentada pela capacidade de uma escuta da vida, de uma escuta do fenômeno clínico em que o material afetivo e intuitivo vivenciado no setting é capaz de promover modificações teóricas e isso em todas as vezes em que for preciso substituir um conceito, uma ideia, uma teoria por outra que melhor se harmonize com essa vivência clínica à luz da capacidade de sonhar e de fantasiar – como ocorreu historicamente – por um Freud (1917/2010) que abalou as estruturas do narcisismo universal (lembremo-nos dos três grandes golpes a esse narcisismo: Copérnico – a Terra não era mais o centro do Universo [uma afronta Cosmológica]; Darwin – o homem surgiu do reino animal [uma afronta Biológica] e Freud – o Eu não era mais uma instância confiável [uma afronta Psicológica]).

            Recordo-me de um ensaio escrito pelo poeta argentino Jorge Luis Borges, de 1936, intitulado “História da Eternidade”. Ali ele nos mostrará o quanto a produção intelectual do Espírito humano procurou e se esforçou para compreender essa tormentosa noção de “Eternidade”, “Imobilidade” – ou, ainda diríamos, que tanto buscou a negação do transitório. André Green (2016), em “Propedêutica: a Metapsicologia Revisitada”, resgata, em um Anexo (“Pensar a epistemologia da prática”), o princípio de incerteza psicanalítico problematizando, em nome de um discurso científico, o que poderíamos dizer sobre a adequação do sujeito ao real à luz de um aparelho psíquico que é, inevitavelmente, criador por excelência (e, por que não dizer também, transgressor por excelência?)[2].

            Assim sendo, compreendemos que a vida anímica somente pode se dar pelo perpétuo movimento (dialético, tensional) de auto-organização e auto-desorganização e aqui, recorrendo à Borges, ainda poderíamos perguntar: Como compreender – inclusive na clínica – as noções de passado-presente-futuro? Seria o tempo futuro ou o porvir uma construção de nossa esperança? O atual estaria reduzido a um estado de agonia – desintegrando o passado ou fazendo dele uma repetição demoníaca?

            Outro ponto interessante trazido por Borges também tem implicações sobre essa noção de ciência, já que, na medida em que o tempo é posto como problema, outra questão se impõe ao tema: como seria possível sincronizar o tempo individual (de cada pessoa: do Eu) com o tempo geral (dos agrupamentos humanos: a filogênese, a História)? A saída, reflete Borges, está em entendermos que jamais alcançaríamos uma integração mecânica do passado, do presente e do futuro, seja por qual noção de verdade poderíamos operacionalizar (verdade teológica, verdade filosófica, verdade biológica, verdade metapsicológica), justamente porque a última e firme realidade das coisas – a matéria, a solidão dos átomos – não é capaz de dar conta dos enigmas da vida ou da sua realidade (im)permanente: as concepções temporais se distinguem das concepções divinas (eternas, imutáveis), pois estas carecem, segundo Borges, de eficácia criadora(Borges, 1936/1989, p. 361). Afinal, Dostoiévski estaria certo ao falar pela boca de seus personagens:

– Imagina, na cabeça, isto é, no cérebro, há nervos…esses nervos têm fibras e desde que elas vibram…vês, olho alguma coisa, assim  e elas vibram, essas fibras…e assim que elas vibram forma-se uma imagem, não imediatamente, mas ao fim de um instante, de um segundo, e forma-se um momento, isto é, não um momento [,] mas um objeto ou uma ação; eis como se efetua a percepção, o pensamento vem em seguida…porque tenho fibras, e não porque tenho uma alma e fui criado à imagem de Deus; que bobagem!

[…] Que bela coisa a ciência, Aliócha! O homem se transforma, compreende-o…No entanto, lamento Deus!

[…] A química, irmão, a química!

[…] Mas então, que se tornará o homem, sem Deus e sem imortalidade? Tudo é permitido, por consequência, tudo é lícito? Não o sabias? (Dostoiévski, 1879/1995, p. 453).

            Nós, seres temporais e espaciais, percebemos os fatos reais (e nem vou aqui entrar nessa seara do que é o “real”) e imaginamos os possíveis e os futuros fatos e é assim que poderemos afirmar que “a conservação deste mundo é uma perpétua criação e que os verbos conservar e criar, tão inimigos aqui [nessa tentativa de desvelar a verdade ideal, negando a morte de Deus para garantir o encontro de uma VERDADE imutável, pré-estabelecida, segura e universalizante], são sinônimos [apenas] no Céu.” (Borges, 1936/1989, p. 363). Como sugere André Green (2020) em “O Tempo fragmentado” ou “O Tempo Despedaçado” (“Le Temps Éclaté”), a Psicanálise se dá no campo de uma (des)construção heterocrônica, ou seja, com desenvolvimentos, fixações teóricas e regressões ou movimentos progressivos e regressivos, porque a vida nunca pode ser explicada, mas apenas compreendida em suas linhas tortas, em seus (des)encantos, em seus movimentos e nas vicissitudes dos investimentos e desinvestimentos pulsionais e objetais. Como escreve Manoel de Barros (1996/2013): “Prefiro as linhas tortas, como Deus”, mas porque “A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá, mas não pode medir seus encantos.” (Barros, 1996/2013, p. 316).

            É assim que “Novos Caminhos da terapia psicanalítica” pode também provocar uma turbulência ao nosso fazer clínico, convidando-nos a uma reflexão sobre qual a noção de Cura que guia a nossa Escuta: Buscaríamos a eliminação dos sintomas? Estaríamos enraizados em um desejo de produzir um sujeito saudável? E o que seria um sujeito saudável? Freud nos convida a nos arrancarmos do perigo de nos refugiarmos em uma Torre de Marfim cientificizante, com a equivocada noção de que a Psicanálise promoveria um sujeito livre dos conflitos ou um sujeito estável e normatizado. Ora, ele mesmo escreve que – ainda que o programa do princípio de prazer estabeleça a finalidade da vida – uma vida governada pelo princípio de prazer é irrealizável (Freud, 1919/2010, p. 280)[3] e o que conseguimos (eis aí a encruzilhada da vida humana!) não passa de um “morno bem-estar” (Freud, 1930/2010, pp. 30-31). Com isso, poderíamos recorrer a um Freud Anti-Coaching:

não duvido que seria mais fácil para o destino do que para mim eliminar seu sofrimento: mas você se convencerá de que muito se ganha se conseguimos transformar sua miséria histérica em infelicidade comum. Desta última você poderá se defender melhor com uma vida psíquica restabelecida (Freud 1893-1895/2016, p. 427).[4]

            Há o texto de um psicanalista e etnólogo húngaro-francês muito pertinente para pensarmos este contexto. Trata-se da obra “Renúncia à Identidade: Defesa contra o Aniquilamento”, um trabalho que nos mostra o quanto o sintoma é uma forma de resistência do sujeito, ou melhor, uma negação – ainda que sintomática – da atribuição de uma identidade que o ambiente (pais, família, cultura, Instituições) lhe impõe. Assim, “toda neurose e toda psicose representam uma renúncia à identidade, um disfarce da verdadeira identidade do paciente” (Devereux, 2019, p. 25). Em outros termos, trata-se de um processo de diferenciação daquele que sofre as imposições dessas verdades do ambiente sobre a construção de sua personalidade, resultando em um empobrecimento das capacidades e potências da pessoa existir enquanto sujeito desejante (uma diferenciação via sintomática). O sofrimento psíquico pode ser visto pela ótica de uma espécie de negativismo social (Devereux, 2019, p. 31), de modo que a cura como ideia de um movimento de (re)adaptação do sujeito na sociedade pode se constituir como um ato de violência – inclusive, pelo analista, repleto de boas intenções. Muitas vezes, normatizar se constitui como um movimento para eliminar ou camuflar a possibilidade de mostrar o que não vai bem no campo da normatividade da cultura.

            Lembro-me de um dos atendimentos que mais marcou a minha experiência clínica. Vou chama-la de Solange, uma travesti, preta e periférica (caraterísticas marcadas por ela mesma) que, em certa sessão, me disse o seguinte: “Sábado eu fui no Terreiro ali perto de casa e ouvi de uma Pombagira algo que mexeu muito comigo. Ela me disse o seguinte: ‘Para de se angustiar com a sua sexualidade! Quem foi que te disse que pra gerar vida é preciso ter um útero?’.” Bem, depois daquela fala da Entidade, qualquer tentativa minha, naquela sessão, de alcançar Solange com palavras, seria empobrecida, já que não estariam tão carregadas de vida e de potência vitalizadora – afinal, aquela Pombagira me ensinara, naquela história, a arte de fazer-se presença viva na análise a partir do idioma da analisanda!

            Dada a cena clínica acima e ao pensarmos na Psicanálise como Ciência, proponho uma questão de encerramento: Como poderíamos entender o tema da neutralidade no manejo clínico? Eu gosto muito de um termo que Green utiliza em uma de suas obras (“O Pensamento Clínico”): a neutralidade benévola. De direito, poderíamos imaginar ou fantasiar idealisticamente um analista que deixaria a sua personalidade fora da relação intersubjetiva analista-analisando. Todavia, De fato, trata-se de um perigoso desejo, ou melhor, de uma nociva defesa do analista diante de suas angústias, das turbulências e da vivência emocional no setting. Utilizando-me aqui de uma ideia de Bion, estaríamos diante da negação e da defesa do analista frente ao seu não-saber e à sua dificuldade em suportar a necessária capacidade negativa inerente à ética da escuta clínica.

            Na Carta de Freud à Lou Andreas-Salomé – uma importante interlocutora de Freud, filósofa, poeta, e psicanalista –, de 25 de maio de 1916, Freud nos apresenta uma perspectiva riquíssima à nossa ética na escuta: a capacidade de suportar o ponto escuro, o mistério, o não-saber que se manifesta na dupla analítica. Nesse diálogo com Salomé, sobre as angustiantes produções teórico-clínicas de Freud, ele usa a seguinte expressão para descrever suas incertezas: “tenho de cegar-me artificialmente a fim de focalizar a luz sobre um ponto escuro” para não correr o “perigo de distorcer a matéria sob investigação, ainda que pudesse embelezá-la.” (Freud/Salomé, 1975, p. 65). Essa ideia se aproxima de Bion. Vejamos!

            Seguindo esse mesmo movimento do pensamento, Bion, no ensaio “Capacidade Negativa”, convida o ou a analista a se colocarem na sessão de uma maneira imparcial e a considerarem o aqui e agora da sessão. O importante, afirma Bion, é conseguirmos acolher uma espécie de faísca perturbadora na escuridão que atravessa a dupla analista-analisando, sendo o analista capaz (capacidade negativa) de suportar e de existir em suas incertezas, em seus mistérios e em suas dúvidas sem desejar refugiar-se (defensivamente e impacientemente) em uma racionalização apressada: é preciso sustentar uma “capacidade negativa, caso contrário, o analista poderia se apressar em achar uma interpretação para sair do dilema de tolerar mistérios, meias verdades, e assim por diante.” (Bion, 1977/2019, p. 133). Lembremo-nos, como apresentado em página anterior, do perigo de nos refugiarmos em uma Torre de Marfim![5]

            Dito isso, termino estas reflexões retomando o referido texto de Freud “Caminhos da Terapia Psicanalítica”, apresentando aquilo o que chamo de um convite da Psicanálise a uma escuta etnopsicanalítica, em que somos provocados a assumir, não uma neutralidade – no sentido do que desejam as Ciências Naturais ou Comportamentais: a pureza cristalina da lógica –, mas a compormos uma certa identidade desengajada[6] acerca de nossos saberes, de nossos pré-conceitos. Para entender melhor o que quero aqui apresentar, recorro ao próprio Freud (1919/2010, pp. 288-289) – e para além dele – para refletirmos sobre a nossa escuta ética:

            1º) o analista, em seu coração solícito, deve ser capaz de manter um estado de privação, de falta (Entbehrung) na cura (Kur);

            2º) o analista deve recusar a transformar o paciente em sua propriedade, acreditando ter o suposto saber de formar o destino de seu analisando;

            3º) o analista deve recusar-se a impor ao analisando os seus ideais, colocando-se na posição de um Criador, formando o analisando à sua semelhança e visando a sua própria satisfação narcísica;

            4º) o analista deve ter neutralidade benévola para receber àqueles que recorrem ao seu trabalho, mesmo que não tenha com eles quaisquer laços de raça, educação, posição social ou visão de mundo – sempre respeitando-os em suas singularidades;

            5º) o analisando não deve ser educado para ser semelhante ao analista, mas para a libertação e a concretização de sua própria capacidade de ser, de existir;

            6º) que a Psicanálise não se coloque a serviço de uma determinada cosmovisão filosófica (teológica, científica, política) e

            7º) (tomando a liberdade de inserir o Green em uma de suas “Conferências brasileiras”) que o analista saiba suportar o constante ir-e-vir do processo terapêutico, pois a “Análise é um trabalho de Penélope – todos os dias você tece a teia e logo que o paciente o deixa, ele a desfaz. Se não tivermos preparados para ver a análise assim, é melhor mudar de profissão”. (Green, 1990, p, 134).

            É assim que, apesar das dificuldades, prefiro aventurar-me; apesar das incompreensões, prefiro tentar compreender; apesar das turbulências, prefiro o esforço pelo equilíbrio; apesar da transitoriedade, não deixo de encontrar o sentido na (in)finitude e, apesar de tudo, prefiro despedir-me com o texto de Clarice Lispector “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”:

            Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. (Lispector, 2020, p. 23).

 

Referências

BARROS, Manoel de (1996)). Desejar Ser. In: Poesia Completa: Livro sobre Nada. São Paulo: LeYa, 2013.

BION, W. (1977). Capacidade Negativa. In: Arnaldo Chuster, Anie Stürmer et al. Capacidade Negativa: Um caminho em busca da luz. São Paulo: Zagodoni, 2019.

BORGES, Jorge Luis (1936). Historia de la Eternidad. In: Obras Completas, Vol. 1. 1923-1949. Barcelona: Emecé Editores, 1989.

DEVEREUX, Georges (2019). La Renonciation à l’identité. Défense contre l’Anéantissement. Paris: Petite Bblio Payot.

DOSTOIÉVSKI, Fiódor M. (1879). Os Irmãos Karamázovi. Tradução de Enrico Corvisieri.  Coleção Imortais da Literatura Universal. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda, 1995.

FÉDIDA, Pierre (2020). O Assintótico. Rev. bras. Psicanálise. vol.54 no.4 São Paulo out./dez.

FREUD/LOU ANDREAS-SALOMÉ (1975). Correspondência Completa. Tradução Dora Flacksman. Rio de Janeiro: Imago Editora LTDA.

FREUD, S. (1893-1895). Estudos sobre a Histeria. In: Obras Completas, Vol. 2. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

FREUD, S. (1900). Carta a Fließ 242 [133]. In: Obras Incompletas de Sigmund Freud. Fundamentos da Clínica Psicanalítica. Tradução Claudia Dornbusch. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

FREUD, S. (1917). Uma dificuldade da Psicanálise. In: Obras Completas, Vol. 14. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FREUD, S. (1915). As pulsões e seus destinos. In: Obras Completas, Vol. 12. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FREUD, S. (1919[1918]). Caminhos da Terapia Psicanalítica. In: Obras Completas, Vol. 14. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

FREUD, S. (1930). O Mal-Estar na Civilização. In: Obras Completas, Vol. 18. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

LISPECTOR, Clarice (2020). Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Rocco

GREEN, A. (1990). Conferências Brasileiras de André Green: Metapsicologia dos Limites. Tradução Helena Besseman. Rio de Janeiro: Imago.

GREEN, A. (2014). El Pensamiento Clínico. Traducción de Claudia E. Consigli. Buenos Aires: Amorrortu.

GREEN, A. (2016). Propédeutique. La Métapsychologie Revisité. France: Les Classiques de Champ Vallon.

GREEN, A. (2020). Le Temps Éclaté. Paris: Collection “Critique”/Les Éditions de Minuit.

KANT, Immanuel (1781). Crítica da Razão Pura. Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. 3ª Edição. Lisboa/Berna: Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, 1994.

OBEYESEKERE, Gananath (1990). The Work of Culture: Symbolic transformation in psychoanalysis and anthropology. United States of America: The Lewis Henry Morgan Lectures.

WITTGENSTEIN, Ludwig (2014). Tradução Marcos G. Montagnoli. Coleção Pensamento Humano. Rio de Janeiro/São Paulo: Editora Universitária São Francisco.

ZALTZMAN, Nathalie (1993). A pulsão anarquista. São Paulo: Editora Escuta.

 

Notas

[1] Refiro-me ao Evento “Diálogos entre teoria, técnica e prática na Psicanálise” ocorrido em São Paulo, no dia 19 de julho deste ano – um riquíssimo encontro promovido pela EPC, Grupo Pares, Grupo Sándor Ferenczi e pelo NEPPA.

[2] Conferir a obra de Nathalie Zaltzman, intitulada “A Pulsão Anarquista”.

[3] Para esta temática da noção de Cura, indico a leitura da Carta de Freud à Fliess de 16 de abril de 1900 (publicada pela Autêntica, no Volume sobre a Clínica) e o texto “O Assintótico” do Psicanalista francês Pierre Fédida.

[4] O grifo é meu, com o objetivo de enfatizar a ideia de infelicidade comum.

[5] E vamos nos lembrar da provocação de Wittgenstein (2014, P. 70) e trazê-la (ou reformulá-la) para o nosso contexto: se buscarmos a pureza cristalina da lógica, essa exigência nos levará ao risco de convertermos a nossa escuta em algo vazio. Se queremos andar em nosso fazer clínico, não neguemos os atritos inerentes ao processo: desçamos de nossa Torre de Marfim e caminhemos de volta ao chão áspero de nossa capacidade negativa.

[6]Disengaged identity”, termo usado pelo Antropólogo Gananath Obeyesekere na obra “O Trabalho da Cultura” (OBEYESEKERE, 1990, p. 228), refletindo sobre as possíveis intersecções entre Psicanálise e Antropologia.

 


Texto escrito por Carlos Eduardo Ortolani Prado de Moura. Psicanalista. Licenciatura Plena em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC/Campinas). Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Possui Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos(UFSCar) e Pós-Doutorado em Psicologia pelo Laboratório de Etnopsicologia da FFCLRP-USP/FAPESP.

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